Exposição inédita de quimonos, leques e maquetes em Washi

Exposição inédita de quimonos, leques e maquetes em Washi

A Expo Japão 2019 tem um espaço dedicado à cultura japonesa, costumes e tradições da comunidade. Este ano, além da tradicional cerimônia do chá, apresentação de kotô, exposição de kokeshi, dentre outras atividades, os visitantes terão duas exposições inéditas na feira – uma de quimonos e leques e outra, cedida pelo Consulado Geral do Japão, de maquetes feitas em washi.

Quimonos e leques – A palavra quimono significa ‘coisa de vestir’ e, esta vestimenta é utilizada no Japão desde meados do século IV. Segundo Terumi Hirama, responsável pela exposição, o quimono veio de uma influência chinesa. “Quem usava ele antigamente, era a alta classe, por causa dos tecidos usados e dos adornos. Depois passou a ser usado pela classe média e só mais tarde, toda a população passou a usá-lo”, conta.

Existem vários tipos de quimonos e, além da beleza, o tecido, o obi – faixa amarrada na cintura -, obijime – cordão que segura o obi -, o comprimento das mangas e a estampa ditam o nível de formalidade, hierarquia e estado cívil de quem está usando.

Em casamentos, por exemplo, os noivos e os parentes mais próximos usam quimonos formais, que contam com maior complexidade de desenhos, uma forma de amarrar o obi diferente e além disso, trazem o brasão da família nas costas, em cada ombro, na região do peito e nas mangas.  O obi para essas cerimônias varia entre dourado e prata.

Outro modelo exposto é o quimono artístico, utilizado para apresentações de danças clássicas japonesas. Esses modelos são considerados semi-formais, pois só apresentam um brasão da família estampado nas costas. Os quimonos artísticos têm manga curta para facilitar os movimentos. Dona Terumi contou que os quimonos em exposição são de danças femininas, com modelos para as dançarinas interpretarem um homem ou uma mulher.

Além do kimono, os leques fazem parte da vestimenta, e servem como acessório. Dona Terumi  conta que os leques artísticos são maiores e suas estampas tendem a combinar com a roupa utilizada. Já para eventos formais os leques são menores e, normalmente, são um presente. “Existem leques diferentes para a dança, para se refrescar e para acessórios”, completa.

Maquetes em washi – Washi é um papel tradicional japonês, feito com uma fibra do encontrada no norte do país e processado à mão. Na cultura japonesa, ele é usado amplamente para diversas atividades, desde origami até capa de livros. Uma das utilidades desse papel é em transformá-lo em maquete.

Para a Expo Japão, o Consulado trouxe pequenas maquetes feitas desse material. No total são 12 maquetes, uma para cada mês do ano, representando as festividades e eventos que ocorrem durante determinado período. “Cada estação, cada mês acontece algo de diferente para celebrarmos”, conta Terumi.

Em janeiro, é celebrado o ano novo, logo, a maquete deste mês traz representado elementos típicos de decoração e comida desse período, como: a folha de pinho – chamada de matsukazari – que é colocada no portão das casas, o kagamimochi que é uma decoração que traz boa sorte e prosperidade – Terumi relata que o mochi, material usado no kagamimochi é feito de arroz e decorado com algum fruto do mar.  A maquete traz representa também o osechi – uma comida especial de ano novo. 

A maquete de julho traz o Festival das Estrelas, celebrado no dia 07. Essa festividade vem de uma lenda que conta a história de Vega, princesa tecelã e do pastor Altair que se encontram uma vez ao ano na Via Láctea. Nesse dia, as pessoas escrevem seus desejos em uma tira de papel – a tanzaku -, penduram em folhas de bambu e rezam para as estrelas.

Outubro é o mês de colheita do arroz no Japão. A maquete mostra pequenos pés de arroz e um espantalho. Durante esse mês, uma paisagem comum no país é ver os arrozais cortados e espalhados para secar, outra prática comum são os espantalhos feitos de bambu para espantar os pássaros e os macacos.

Texto e foto: Aline Schmidt com orientação de Emilia Miyazaki.